A Inconveniente Loja de Conveniência |um livro acolhedor sobre empatia e humanidade

"No fim das contas, vida era relacionamento, e relacionamento era comunicação. Percebi finalmente que a felicidade não estava longe; estava em compartilhar o coração com as pessoas ao nosso lado." 

Dok-go vive na Estação Seul sem passado, sem destino e com os dias reduzidos à repetição de uma loja de conveniência observada à distância. Quando devolve uma bolsinha perdida à senhora Yeom, uma professora aposentada, ele é acolhido de forma simples, mas decisiva.
Aos poucos, o trabalho no turno da noite e o convívio com pessoas desconfiadas, porém humanas, oferecem a ele algo próximo de pertencimento. No entanto, esse equilíbrio frágil começa a ruir quando alguém decide investigar quem Dok-go foi, e o passado que ele tenta esquecer ameaça o único lugar onde conseguiu ficar.

Comecei a leitura de A inconveniente loja de conveniência porque precisava de algo que me trouxesse conforto. Queria um livro mais leve, já que a leitura anterior tinha sido bem cansativa. Então, minha expectativa era simples: que fosse uma história fluida, daquelas que ajudam a gente a voltar ao ritmo normal de leitura,  quase como uma cura para uma meia ressaca literária, sabe?

Mas ele me surpreendeu tanto, tanto, tanto, que eu juro: não saí dessa leitura menos do que apaixonada.

Fiquei totalmente imersa enquanto lia. Sempre que tinha um tempinho, eu estava com o livro nas mãos, e quando não podia ler, ficava pensando em quando conseguiria voltar para ele. A história é instigante e profunda e, ao mesmo tempo em que aborda coisas duras da vida, tem uma escrita que faz você simplesmente deslizar pelas páginas. Achei isso incrível.

As chamadas ficções de cura realmente não estão me decepcionando. Era um gênero que eu tinha um pouco de receio de ler, com medo de achar cansativo, mas desde que comecei percebi que, sempre que preciso dar uma pausa da vida real, que é corrida e muitas vezes desgastante, acabo correndo para esses livros. E eles sempre me surpreendem pelo quanto fazem a gente refletir e pensar sobre diferentes aspectos da vida.

Nessa história, os dois personagens centrais, Dok-go e a senhora Yeom, despertaram em mim uma empatia enorme. Sabe quando parece que você está ouvindo a história de alguém que encontrou na fila do supermercado ou de um conhecido seu? Eu lia com muita atenção, completamente envolvida.

Não dá nem para dizer que são personagens bem construídos, eles são mais do que isso. Eles parecem reais. Os sentimentos presentes no livro são quase palpáveis. É algo difícil até de explicar. Existe ali uma mistura de controle emocional, leveza, sentimentos profundos, bondade e gratidão que eu nunca tinha visto representada de forma tão forte em um livro. É uma demonstração muito bonita de conexão e compreensão mútua.
São personagens com grandes histórias de vida, que carregam consigo o peso de tudo o que viveram, mas que transformam isso em lições e em algo bom para oferecer ao outro.

O livro também não falha quando fala sobre sentimentos e sobre a vida em si e sobre aquilo que você pode levar dela quando começa a olhar para o outro, e não apenas para si mesmo. Acho que uma das maiores lições que tirei dessa leitura é que, às vezes, uma simples palavra que você oferece no dia de alguém pode fazer uma diferença enorme. Às vezes é só um gesto, uma pequena demonstração de cuidado… e isso é tão importante nos dias de hoje.

Com toda certeza, esse livro vai ficar comigo para sempre. Não existe a mínima possibilidade de eu esquecer sequer uma vírgula dele.

Recomendo muito essa leitura. Recomendo para quando você quiser pensar na vida e refletir sobre tudo isso que tentei colocar aqui na resenha. Vá de coração aberto, e talvez você encontre nele, assim como eu encontrei, um abraço em tempos difíceis.

  • Livro: A inconveniente loja de conveniência
    Autora: Kin Ho-Yeon ;
    Gênero: Ficção decura;
    Páginas: 272;
    Nota: 5,0 ☆

Boa leitura,

Ceci Moya

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"Oi eu sou a Cecília, apaixonada por Leitura, filmes de comedia romântica, Nx Zero e One Tree Hill."

"Sou estudante de letras e nas horas vagas amo guardar as memórias dos livros em forma de resenha, assim nasceu o blog."

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